Após tráfico tomar TV e iniciar onda de ataques, Equador põe Exército na rua
Publicada em 10/01/24 às 08:26h - 10 visualizações
por Rádio Lobo Web com Estadão Conteúdo
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(Foto: Rádio Lobo Web Reprodução)
Grupos criminosos lançaram nesta terça-feira, 9, uma série de ataques em
cidades do Equador um dia depois de o presidente, Daniel Noboa, ter
decretado estado de exceção para combater o narcotráfico. Noboa
respondeu designando várias organizações como "terroristas" e mandando o
Exército às ruas.
Os ataques de ontem, que ocorrem em paralelo à
invasão de um canal de TV ao vivo em Guayaquil, a maior cidade do país,
incluem queima de carros e ônibus, sequestros de policiais e
vandalismo. Ao menos quatro policiais estão em poder de criminosos e um
está desaparecido.
Em Esmeraldas, próximo à fronteira com a
Colômbia, criminosos atearam fogo em carros. Aulas foram canceladas e
comércios, fechados. O governo não divulgou um balanço geral, mas
relatos apontam que várias cidades sofreram ataques simultâneos,
incluindo Quito e Guayaquil.
O Equador vive há anos um aumento
da violência relacionada ao narcotráfico. Espremido entre dois dos
maiores produtores de cocaína do mundo - Peru e Colômbia -, o país virou
rota de escoamento da droga, principalmente através dos portos de
Guayaquil, Esmeraldas e Manta.
No ano passado, criminosos
mataram a tiros o candidato presidencial Fernando Villavicencio após um
comício no norte de Quito. O crime foi atribuído aos Choneros, maior
facção criminal do Equador. O então presidente, Guillermo Lasso,
prometeu que o crime não ficaria impune. Seis colombianos foram presos,
mas todos morreram na prisão alguns meses depois.
Terror
No domingo, 7, Adolfo Macías, conhecido como "Fito", líder dos
Choneros, fugiu de uma prisão de Guayaquil. A fuga levou o presidente a
decretar estado de exceção em todo o país, incluindo um toque de
recolher das 23 horas às 5 horas por 60 dias, uma ferramenta comum de
política pública: desde 2019, foram mais de 40 estados de exceção
declarados no Equador.
Mas pouca coisa mudou. O Equador viveu
uma nova madrugada de terror, com policiais sequestrados em várias
cidades. Ontem, a situação se agravou. Homens armados e encapuzados
invadiram o estúdio da emissora TC Televisión em Guayaquil. O canal
estava ao vivo e registrou o momento em que um grupo de bandidos avançou
e ameaçou jornalistas e cinegrafistas.
Durante a invasão,
disparos foram ouvidos no estúdio e os funcionários da emissora usaram o
WhatsApp para pedir ajuda: "Socorro, eles querem nos matar", dizia a
mensagem. Sem dar detalhes, a polícia anunciou que controlou a situação,
após realizar "várias prisões", e divulgou fotos que mostram pelo menos
dez suspeitos deitados no chão, com as mãos atadas.
Conflito
Noboa agiu rápido e decretou ontem "conflito armado interno" no
Equador. O decreto considera 22 facções criminosas como organizações
terroristas e autoriza os militares a agir para combater todas as
facções. "Ordenei às Forças Armadas que realizem operações militares
para neutralizar esses grupos", disse o presidente equatoriano.
Governo mobiliza 3 mil policiais para capturar chefe de facção
José Adolfo Macías Villamar, o Fito, de 44 anos, chefe dos Choneros,
principal organização criminosa do Equador, continua desaparecido. Ele
cumpria pena de 34 anos por crime organizado, narcotráfico e homicídio.
Autoridades disseram que dois carcereiros foram acusados de envolvimento
na fuga, enquanto 3 mil policiais foram enviados para caçar o
criminoso.
"Não vamos negociar com terroristas", disse o
presidente do Equador, Daniel Noboa, um empresário de 36 anos. "Esses
grupos narcoterroristas pretendem nos intimidar e acreditam que
cederemos às suas exigências."
A taxa de homicídios do Equador
em 2023 foi de 46,5 assassinatos por 100 mil habitantes - oito vezes
mais do que era em 2018. O presidente Daniel Noboa atribui o aumento da
violência a uma retaliação pelas suas ações para "recuperar o controle"
das prisões equatorianas. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)
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